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O Retorno de Sweetback

por Luísa Chaves de Melo (01/07/2007)

Não é novidade hollywood fazer um filme sobre um cara que faz um filme. A diferença de O Retorno de Sweetback é contar a história de um cara que enfrenta hollywood para fazer um filme independente, cujo objetivo é dar novo rumo ao modo como os negros eram representados no cinema. Uma ficção sobre os fatos da biografia de Melvin Van Peebles, diretor e roteirista de Sweet Sweetback’s Baadasssss. Ou seja, uma ficção inspirada na realidade da realização de uma ficção.

O filme segue a bem sucedida fórmula, cara ao cinema norte-americano, do visionário que enfrenta todo tipo de obstáculos, e não desiste, porque acredita no sonho. Quando a ruína total é iminente, a sorte sorri e o investimento é recompensado. É preciso arriscar tudo para que o sonho da sociedade norte-americana faça sentido: os melhores sempre vencerão ao final. Nem que, para isso, o final deva ser adiado.

O resultado real da história contada como ficção foi um marco do cinema norte-americano, um estouro de bilheteria e uma das muitas ações afirmativas do efervescente movimento negro do início dos anos 70 (esse, inclusive, é um dos charmes do filme – a ambientação no cruzamento dos hippies com a causa de Luter King).

Pode-se ter a falsa impressão de que ao se usar a fórmula conhecida do visionário recompensado, a história do cineasta negro é incorporada pelo sistema e, com isso, a história real termina com a vitória de hollywood, ao fagocitar o outsider. Isso não ocorre porque o diretor de O Retorno de Sweetbak, Mario Van Peebles, filho do protagonista e também personagem do filme de ficção, usa um tom irônico-jocoso para contar sua versão dos fatos. O narrador em primeira pessoa esculhamba hollywood, enquanto imagens dos brancos poderosos nos parecem tão caricatas quanto as usadas, à época, para retratar os negros.

Os extras do DVD dão um gosto extra, com um making off de primeira categoria e entrevista com o Melvin verdadeiro. Aí, sim, o filme torna-se a realização do sonho americano pelos motivos certos: quando menos se espera a sociedade estabelecida leva rasteiras das minorias, majoritárias por lá.

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