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DVD
O segredo de Berlim
por Luísa Chaves de Melo (10/09/2007)

Previsto para estrear no circuito brasileiro em junho, O segredo de Berlim (The good German), de Steven Soderbergh, foi lançado diretamente em DVD. Já disponível para vendas, o filme é um exercício de estilo e uma homenagem. Filmado em preto e branco, não deixa nada a dever aos bons filmes noir da década de 40, como Casablanca. Há, inclusive, algumas citações visuais, como a cena final do aeroporto, na qual Rick despede-se de Ilsa.
A história se passa nos primeiros dias do pós-guerra em Berlim, quando um jornalista norte-americano chega à cidade para cobrir a Conferência da Paz, em Potsdam, na qual se reunirão Harry Truman (EUA), Winston Churchill (Reino Unido) e Joseph Stalin (URSS).
Como era de se esperar num filme do gênero, vários pequenos mistérios vão surgindo em torno de um mistério maior, que, nesse caso, não interessa a ninguém desvendar. Apenas o protagonista, que também guarda seus segredos, quer descobrir a verdade. Implicada nessa trama, claro, há uma mulher para lá de obscura. O mote, aqui, é sobreviver.
O clima soturno desenvolve-se com a ajuda da trilha incidental e do jogo de luzes e sombras característicos do gênero. Sorderberg incorporou bem cenas de arquivo do pós-guerra e da conferência de Potsdam, o que acabam contribuindo para a ambientação da trama, fazendo o espectador quase acreditar que o filme foi feito à época... não fossem as estrelas do elenco.
George Clooney é o protagonista, que poderia ter sido interpretado, também, por Humphrey Bogart. Cate Blanchett é uma Ingrid Bergman menos certinha – ou seria melhor compará-la a Bette Davis? – e é quem tem mais a esconder. Tobey Maguire faz o malandro que se acha esperto, o salafrário simpático.
A dublagem manteve o clima criado por Soderberg – reproduzindo o tipo de dublagem que se fazia quando esses filmes chegaram à TV brasileira –, e quem resolver ver o filme dublado terá diversão extra.
Pena ser uma edição simples. Sem extras. Com tanto cuidado e tanta competência no exercício de forjar o estilo noir, o espectador, privado de assistir ao filme na telona, tem a vontade de ver, pelo menos, um making off.
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